POR VERÔNICA
NASCIMENTO
Acidentes
motociclísticos assustam autoridades em Campos. Este ano, o Hospital Ferreira
Machado (HFM) atendeu 1.099 vítimas de acidentes de moto, 40% delas (441) com
idades entre 20 e 29 anos. Somente no primeiro trimestre, dos 109 pacientes
internados no Centro de Terapia Intensiva do HFM, 17% (19 pessoas) sofreram
acidentes de moto, superando o percentual de 12% dos internados com acidente
vascular cerebral hemorrágico (13 pessoas) e das 13 vítimas de perfuração de
armas de fogo (PAF), também 12%. Na tentativa reduzir os índices, a Saúde de
Campos, através do HFM, propôs a autoridades ligadas à Segurança Pública,
reunidas nesta terça-feira (5), a realização de uma campanha para informar e
sensibilizar a população sobre o problema.
Segundo
informações passadas pelo superintendente do HFM, Pedro Ernesto Simão, dos mais
de R$ 240 milhões gastos anualmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) com
internações decorrentes de acidentes de trânsito, R$ 126,1 milhões são com
vítimas de acidentes com motocicletas. Em 2014, acidentes motociclísticos foram
responsáveis por mais da metade (54,7%) do número de internações e 1/4 dos
óbitos. Atualmente, o custo de um leito diário em CTI é de R$ 900 a R$ 1 mil.
— O custo é
muito alto não só para o governo, mas para a sociedade como um todo, pois é
alto o índice de vidas perdidas nesses acidentes e o de vítimas que, ficando
com sequelas ou mutiladas, acabam não podendo voltar à atividade laborativa.
Nos reunimos hoje com representantes do Corpo de Bombeiros, da Polícia Militar
e da Guarda Civil, para trocarmos informações e pensarmos em um campanha
esclarecedora de alerta sobre os riscos do uso de motos sem equipamentos de
segurança, que elevam o grau das lesões e sequelas ao paciente, mas também uma
campanha para aumentar a fiscalização — explicou o superintendente.
Capitão
Thomas Dutra, do 5º Grupamento de Bombeiros Militares, alertou que o número de
mortes provocadas por acidentes de motos é mais alto do que os apresentados
pelo HFM. “Embora o Ferreira Machado atenda a pacientes não só de Campos,
registramos acidentes em que o óbito ocorre no local, não sendo notificados ao
hospital. Quando acionados, sabemos que acidentes envolvendo motos são muito
mais graves. Entre as 10 metas definidas para o nosso quartel, uma é a redução
de acidentes de moto e já mapeamos os principais locais de acidentes e estamos
solicitando medidas ao IMTT (Instituto Municipal de Trânsito e Transporte),
como redutores, implantação de radares, para tentar identificar os principais
sinais que são furados e, em parceria, intensificar a fiscalização”.
Chefe de
Planejamento de Operações do 8º BPM, Raphael Viana diz que a campanha é importante
inclusive para a Segurança Pública. “Moto é o veículo mais popular e de mais
fácil aquisição e temos um grande número de adolescentes e jovens
motociclistas. É importante reforçar a educação, inclusive pela família, quanto
à proteção, como uso de capacete, não usar sandálias, estar habilitado, só
guiar motos regulamentadas, aliando essa orientação ao nosso trabalho de
repressão. Essa é uma questão de segurança pública, porque um policial leva de
quatro a
oito horas em uma ocorrência de acidente que poderia ser evitado e que acaba
tirando o policial do patrulhamento”.
Nova
reunião, também com representantes do Detran e IMTT, será realizada na próxima
semana, para definição da campanha. “Motociclistas são os mais vulneráveis no
trânsito e precisamos fazer esse alerta e tentar inibir, cada vez mais, as
imprudências”, completou o superintendente do HFM.
FONTE: FOLHA
DA MANHA






Nenhum comentário:
Postar um comentário