Ex-deputados foram presos durante o mandato e são acusados de
desvio milionário liderado pelo ex-governador Sérgio Cabral (MDB).
Os ex-deputados estaduais do Rio Jorge Picciani, Paulo Melo e
Edson Albertassi — todos do MDB — serão julgados pela primeira vez na Lava
Jato, nesta quinta-feira no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2).
O trio foi denunciado por corrupção passiva, lavagem de
dinheiro e organização criminosa. Juntos, teriam embolsado mais de R$ 100
milhões.
Os parlamentares foram presos no ano passado, durante o
mandato, e continuam detidos. Picciani é o único que seguiu para prisão
domiciliar, numa mansão na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio.
A denúncia do Ministério Público Federal cita uma
"poderosa organização criminosa abrigada no seio do PMDB fluminense".
Entre as acusações, estão esquemas criminosos com
empreiteiras e a Fetranspor. Os deputados blindavam ou favoreciam as empresas
através da atuação no Legislativo.
"Setores do executivo, do Tribunal de Contas do Estado
(TCE) e do legislativo, valendo-se de suas respectivas atribuições, passaram a
receber vantagem patrimonial de forma sistemática das empresas contratadas pelo
ente público para a realização de obras ou prestação de serviços, como o de
transporte coletivo", dizem os procuradores.
No ano passado, o G1 mostrou que — mesmo presos — os
deputados consumiram milhões dos cofres públicos. Eles continuaram recebendo
salários, assim como os funcionários de seus gabinetes. No total, mais de R$
6,6 milhões foram gastos em despesa.
Um pedido de cassação dos três tramitou na Comissão de Ética
da Alerj, mas a passos lentos. Depois de um ano, só foi produzido um relatório
de uma página que pedia a absolvição. Não houve desfecho do caso.
Jorge Picciani
A denúncia diz que o ex-presidente da Alerj tinha notória "ascendência
e liderança sobre os parlamentares", além de presidir o partido. A ele, a
Fetranspor teria pago R$ 50 milhões, entre 2010 e 2015. Ele nega.
Entre 2008 e 2014, a Odebrecht teria pago R$ 11,5 milhões. Os
dados constam em delações e na planilha do Serviço de Operações Estruturadas da
construtora, que servia como um "Departamento de Propina".
Paulo Melo
Entre 2010 e 2014, Paulo Melo teria recebido R$ 1,4 milhões
da mesma empreiteira. Praticamente nesse mesmo período, "Pinguim" -
como foi identificado nas planilhas da Fetranspor - recebeu R$ 54 milhões.
Nessa época, ele era o presidente da Casa.
Edson Albertassi
2º vice-presidente da Casa e líder do MDB na Alerj,
Albertassi também teria recebido propina da Fetranspor através de rádios da
família. Os pagamentos teriam ocorrido entre 2012 e 2014, segundo a denúncia,
com mesadas de R$ 60 mil.
Por Gabriel Barreira, G1 Rio
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