Campos e Macaé dividem o posto dos maiores orçamentos do
Norte Fluminense. De acordo com a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO)
aprovadas no final do ano passado, a expectativa é que as duas cidades
arrecadem R$ 2 bilhões e R$ 2,2 bilhões, respectivamente. Os dois municípios
também dividem o maior número (três) de parlamentares de olho nas respectivas
prefeituras. Pelo menos nas articulações.
Na planície goitacá, o filho do ex-governador Anthony
Garotinho (sem partido), o deputado federal Wladimir Garotinho (PSD), foi
eleito em 2018 com 39.398 votos. Ele é apontado como o caminho natural do
garotismo para disputar a Prefeitura de Campos com o atual prefeito, Rafael
Diniz (PPS), que também fez o mesmo caminho do Legislativo ao Executivo em
2016, só que passando antes pela Câmara de Vereadores. No entanto, o próprio
Wladimir vem desconversando sobre uma possível candidatura, embora esta seja a
principal aposta do meio político. Em entrevista ao programa Folha no Ar, na
Rádio Folha FM 98,3, o parlamentar declarou que o primeiro nome da família é o
da ex-prefeita Rosinha Garotinho (Patri). Porém, para estar apta, a
ex-governadora precisaria reverter quatro condenações de inelegibilidade na
Justiça.
Além de Wladimir, outros dois deputados, só que estaduais,
também estão se articulando. Eleitos pela primeira vez em 2018, o ex-vereador
Gil Vianna (PSL) e o advogado Rodrigo Bacellar (SD) também se colocam na
corrida.
Policial militar reformado, Gil chegou a assumir uma cadeira
na Alerj na última legislatura, como suplente, mas conseguiu uma vaga
definitiva no Palácio Tiradentes na esteira da onda conservadora no partido do
presidente Jair Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro. Candidato a
vice-prefeito na chapa com Caio Vianna (PDT) em 2016 depois de romper politicamente
com Garotinho, o militar já afirmou: “sou candidatíssimo (a prefeito em 2020)”.
Com outro estilo, mais discreto, o filho do ex-vereador
Marcos Bacellar (PDT), Rodrigo, evita dar declarações públicas sobre o assunto,
mas possui ótimas relações com outros deputados, com o presidente da Alerj,
André Ceciliano (PT), e com outras forças políticas da região. Recentemente,
ele, Gil Vianna e João Peixoto (DC) postaram em suas respectivas redes sociais
uma foto dos três juntos, que poderia ser um tubo de ensaio de um possível
grupo para 2020. Além deles, Caio também faria parte, embora Gil diga que não
tem contato com o filho do ex-prefeito Arnaldo Vianna (MDB) e João Peixoto
esteja apalavrado com o atual prefeito.
Macaé, Sao João da Barra e Itaperuna na mira
Assim como Campos, Macaé também possui três parlamentares
eleitos em 2018 como possíveis candidatos à sucessão do atual prefeito Dr.
Aluízio (sem partido).
Assim como Gil Vianna em Campos, o delegado da Polícia
Federal Felício Laterça também pegou carona na onda bolsonarista para chegar à
Câmara dos Deputados pelo PSL. Ele obteve 47.065 votos, mas o desgaste no
início do governo federal tem sido colocado como uma dificuldade para fazer o
nome do policial decolar. Mesmo assim, Laterça é um nome natural para concorrer
em 2020.
O município também elegeu dois deputados estaduais: o
vereador Welberth Rezende (PPS) e o ex-presidente da Câmara Chico Machado
(PSD). Apesar da boa relação entre ambos, os dois também são cotados para
disputarem o pleito na capital do petróleo.
Reeleito para o segundo mandato na Alerj, o deputado estadual
Bruno Dauaire (PSC) evita falar como possível candidato em São João da Barra,
mas não esconde seu desejo de ser prefeito um dia. Ex-prefeito e pai de Bruno,
Betinho Dauaire, disse à Folha que uma possível candidatura não depende da
atual prefeita, Carla Machado (PP), poder ou não concorrer em 2020 por causa de
problemas na Justiça.
Em Itaperuna, no Noroeste Fluminense, o atual prefeito, Dr.
Marcus Vinícius (PR), está afastado pela Justiça, abrindo possibilidades para
várias candidaturas de oposição. Entre elas, uma das mais cotadas é do
vice-presidente da Alerj e ex-secretário estadual de Agricultura Jair
Bittencourt (PP).
Disputa acirrada no Rio de Janeiro
Outra deputada federal da região, a irmã de Wladimir,
Clarissa Garotinho (Pros), já declarou que também será candidata no ano que
vem, m na Prefeitura do Rio de Janeiro. Ex-secretária do governo Marcelo
Crivella (PRB), Clarissa não deve apoiar o atual prefeito, que enfrenta um
processo de impeachment na Câmara de Vereadores.
Um fator considerado decisivo por lideranças políticas do Rio
para a definição do cenário eleitoral é como estará a popularidade tanto de
Bolsonaro quanto do governador Wilson Witzel (PSC). Em princípio, a família do presidente
não deve apoiar ninguém, assim como fez nas eleições para governador do ano
passado, no entanto, o deputado estadual Rodrigo Amorim (PSL) – o mais votado
de 2018 e que ficou conhecido por quebrar uma placa da vereadora assassinada
Marielle Franco – ainda tem esperança de uma candidatura.
Derrotado no segundo turno em 2016, o deputado Marcelo Freixo
(Psol) também já fala como candidato e espera agregar o apoio da esquerda
carioca, famosa pela fragmentação de forças.
Secretario estadual de Educação, Pedro Fernandes (sem
partido) era deputado estadual até o final do ano passado. Deixou o MDB para
disputar o Palácio Guanabara pelo PDT, mas foi expulso do partido depois de
apoiar Witzel no segundo turno. Ele tem a intenção de concorrer, mas precisa definir
uma legenda. Já os pedetistas querem lançar a deputada estadual delegada Martha
Rocha.
FONTE FOLHA 1







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