O mar segue avançando em São João da Barra. Desta vez, na
tarde desta quinta-feira, 21, uma parte de um muro de uma residência em Atafona
caiu, casas e ruas ficaram alagadas pelas águas do mar no Açu. Uma família, que
teve a casa invadida no 5º Distrito, está sendo atendida pela secretaria de
Assistência Social e Direitos Humanos.
De acordo com a assessoria da prefeitura de São João da
Barra, após analisar a tábua de maré, prevendo para essa semana maré de até
1,70, com previsão de ressaca, a Coordenadoria de Defesa Civil utilizou
caminhões de areia para formar uma barragem e evitar a chegada da água em
pontos mais vulneráveis da praia. No entroncamento das ruas Nossa Senhora da
Penha com Feliciano Sodré, onde fica a residência que teve parte do muro
derrubada, também já foi realizada recentemente contenção com areia e sacos de
areia e novas ações emergenciais no local estão previstas.
A areia utilizada foi proveniente da limpeza e manutenção da
Avenida Atlântica, para retorno ao mar, atendendo a condicionante da licença
ambiental do Inea.
Ainda segundo a prefeitura, está agendada, para o próximo dia
28, uma reunião com Ministério Público Federal, representantes da sociedade
civil, órgãos públicos e especialistas para discutir alternativas para o
fenômeno da erosão costeira que seja economicamente viável e ambientalmente
sustentável.
O coordenador da Defesa Civil, Wéllington Barreto, disse que
equipes estão de plantão e orienta a população, principalmente das praias de
Atafona e Açu, que em caso de urgência façam contato com o órgão através do
número 27417878 – ramal 281.
Um projeto de bombeamento artificial de dunas para crescer ou
“engordar” a praia de Atafona, com areia compatível à da praia é um dos estudos
de viabilidade, que depende de trâmites ambientais.
Uma história que jamais será esquecida em Atafona, 2º
distrito de São João da Barra, é o avanço do mar que a cada dia constrói um
novo cenário atrativo para turistas e visitantes. O Açu, 5º distrito, também
vêm sofrendo com a fúria do mar. Segundo especialistas, o que acontece é um
fenômeno de transgressão do mar, que nos últimos 35 anos avançou três metros a
cada 12 meses. A cada ano o mar avança cerca de 3 metros.
No início dos anos 70, magníficos casarões foram sendo
construídos, sendo o primeiro, da Indústria de Bebidas do empresário Hugo
Aquino, na rua Capitão Nelson Pereira e assim as águas do mar vieram invadindo
trechos da praia mais próximos à foz do rio, destruindo tudo que estava a sua
frente.
Em 2017, avanço do mar em Atafona fez Carla Machado decretar
situação de emergência
A prefeita de São João da Barra, Carla Machado (PP), decretou
situação de emergência nas áreas do município afetadas pela erosão costeira. O
documento é datado de 26 de julho, mas foi publicado no sábado (29) no Diário
Oficial do município. O texto observa “que se medidas urgentes não forem
tomadas, com o apoio do Estado e da União, para conter a mencionada erosão
costeira/marinha, graves danos repentinos poderão ser causados, que poderão
resultar em prejuízos ainda mais graves à população local, à economia e ao meio
ambiente”. As ruas Minervina da Silva Pereira e Alvinópolis, na Baixada, são
citadas no documento como as que vêm sofrendo com as investidas do mar, de
forma incessante, desde maio.
Esta é a primeira vez, em mais de 50 anos de registros sobre
o mar avançando em Atafona, que a administração pública toma a atitude de
decretar a situação de emergência. Pelo trâmite em outras cidades que sofrem
com a erosão, como SJB, o decreto terá de ser reconhecida pela Defesa Civil
Estadual e, posteriormente, pelo Ministério da Integração Nacional, para que
verbas para suporte sejam liberadas para o município. Há de se destacar o papel
dos movimentos populares Atafona Resiste e SOS Atafona, com protestos e
reuniões, para que a medida fosse adotada.
Nos “considerandos” do decreto, Carla observa que o fenômeno
em Atafona “já destruiu e vem destruindo muitas casas, estabelecimentos
comerciais, prédios públicos e outros, colocando em risco a população e
causando graves danos de natureza humana patrimonial e ambiental”. O documento
relata que a situação “vem se agravando repentina e consideravelmente nos
últimos meses e semanas”. No texto também é mencionado o “repentino e intenso
assoreamento na foz do Paraíba do Sul, o que vem prejudicando a principal
atividade econômica local, a pesca, além de estar destruindo os manguezais”.
Fica autorizada “a mobilização de todos os órgãos municipais
para atuarem sob a coordenação da Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa
Civil, nas ações de resposta ao desastre e a reabilitação do cenário e
reconstrução”. Um dos artigos do documento dispõe sobre a autorização da
“convocação de voluntários para reforçar as ações de resposta ao desastre e a
realização de campanhas de arrecadação de recursos junto à comunidade, com o
objetivo de facilitar as ações de assistência à população afetada pelo
desastre”.
O jornal ‘Voz de São João da Barra’ no dia 22 de agosto de
1974, trouxe a primeira matéria mostrando a fúria do mar que ameaçava casas do
Pontal, em Atafona. Naquela época, como consta no jornal, a construção de um
dique de pedras de 150 metros poderia resolver o problema dos pescadores do
Pontal. Com o passar dos anos, um novo cenário vem sendo construído e casas
estão sendo devoradas pelo mar avassalador.
O Pontal é conhecido também pelo grande encontro do rio
Paraíba do Sul com o mar que atualmente sofre com a falta d’água e vem perdendo
força.
FONTE: PARAHYBANO
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