O prefeito de Marataízes, Robertino Batista, o “Tininho”
(PDT), e a prefeita de Presidente Kennedy, Amanda Quinta (PSDB), estão entre os
presos na operação “Rubi”, deflagrada na quarta-feira (8) pelo Ministério
Público Estadual (MPES), por meio do Gaeco, que apura indícios de
direcionamento em licitação para empresas ligadas ao setor de coleta de lixo e
transporte coletivo.
Segundo informou o MPES, na quarta-feira, além da prefeita e
do secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, José Augusto Rodrigues de
Paiva, foram presos em flagrante outras duas pessoas – o empresário Marcelo
Marcondes Soares e o motorista do empresário Cristiano Graça Souto, que consta
como sócio formal da empresa de limpeza urbana. O empresário esteva na casa de
Amanda para entregar R$ 33 mil de propina, que estavam dentro de uma mochila,
quando ocorreram as prisões.
A visita e a presença de todos na cidade foi monitorada desde
a última segunda-feira pela polícia.
Além desse acompanhamento, as investigações permitiram
realizar outras duas vigilâncias aos investigados nos meses de novembro e abril
que reforçaram, naquela ocasião, os indicativos de pagamento de propina e
confirmaram o padrão de atuação dos empresários e agentes públicos.
A operação consistiu, inicialmente, no cumprimento de cinco
mandados de prisão temporária, cinco mandados de afastamento funcional de
agentes públicos e 11 mandados de proibição de acesso às dependências de órgãos
públicos. Além de 25 mandados de busca e apreensão pelos agentes do Gaeco,
sendo nove em Presidente Kennedy.
Também foram presos temporariamente na operação na
quarta-feira Isaias Pacheco do Espírito Santo, contador da empresa que
participa ativamente das transações.
A prefeita Amanda Quinta foi levada para o presídio feminino
de Cachoeiro de Itapemirim. Já o companheiro dela e os outros três presos foram
encaminhados para o presídio de Viana.
Amanda Quinta deve passar nesta sexta (10) por uma audiência
de custódia.
A defesa da prefeita alega que não houve crime e que o
dinheiro encontrado na casa dela pelo GAECO nada tem a ver com o objeto da
investigação.
“Não houve crime e nem flagrante. A prefeita Amanda e o
empresário, no momento da abordagem policial, nem sequer estavam no mesmo local
e entre eles não havia ocorrido contato de qualquer natureza. Na oportunidade,
o empresário, cuja atividade emprega centenas de funcionários, esclareceu que
os recursos não guardavam qualquer relação com o objeto da investigação.
Inobstante a tais fatos, a operação decidiu pela lavratura de um flagrante
inexistente”, diz nota enviada pelos advogados de Amanda Quinta.
Prisão de Tininho
As fraudes contratuais e irregularidades também foram
constatadas em Marataízes, município administrado pelo prefeito Robertino
Batista, o “Tininho”. “O MPES identificou que a mesma dinâmica ocorria no
município de Marataízes. O prefeito do município, também suspeito do crime de
corrupção passiva, foi alvo de um mandado de busca e apreensão na manhã desta
quinta-feira (9). Entretanto, ainda precisamos consolidar as informações em
relação aos objetos e valores arrecadados. Ainda de acordo com elementos nos
autos, o prefeito e a esposa viajaram para São Paulo e tiveram a hospedagens e
espetáculos de teatros custeadas como contraprestação de pagamentos nos valores
dos contratos firmados”, afirmou o MPES, em nota.
Durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão na
manhã de hoje na residência do prefeito de Marataízes, os policiais militares e
integrantes do Núcleo de Inteligência da Assessoria Militar do MPES apreenderam
R$ 16.450,00 em dinheiro e uma arma. O prefeito foi preso em flagrante em razão
da apreensão de arma de fogo sem registro. Ele foi levado para a Delegacia de
Itapemirim.
Em relação ao prefeito de Marataízes, a Justiça não acatou o
pedido de afastamento funcional dele.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Tininho, que foi solto
após pagar fiança, tentou se explicar alegando que a arma sem documentação era
proveniente de uma herança e o dinheiro estava declarado na Receita Federal.
A operação do MPES também teve como alvo as prefeituras de
Piúma e Jaguaré.
Até o fechamento desta edição a assessoria do prefeito não
havia emitido nota sobre o caso.
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