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23/07/2022

DOENÇA RENAL: SAIBA IDENTIFICAR OS SINAIS DE QUANDO O SEU RIM NÃO ESTÁ BEM

 

Não basta beber água para garantir uma boa saúde renal, mas, somente um conjunto de ações preventivas pode evitar um quadro irreversível

 

Inchaço, dor lombar e alterações na urina são sinais de alerta para diferentes doenças renais que, se não tratadas, podem levar à DRC (doença renal crônica), condição grave, e inicialmente assintomática, que pode ocasionar a perda do funcionamento do rim, órgão responsável por filtrar as toxinas do organismo, transportar o oxigênio para todo o corpo, controlar a pressão arterial e equilibrar íons responsáveis pelo fortalecimento dos ossos e do coração.  

Muitas pessoas acreditam que basta beber água para garantir uma boa saúde renal, mas, somente um conjunto de ações preventivas pode evitar um quadro irreversível. Segundo a SBN (Sociedade Brasileira de Nefrologia), em 2040, a DRC pode ser a 5ª maior causa de morte no mundo, mas, o rastreio, também chamado de screening, pode evitar que a doença alcance rapidamente a fase aguda.  

"Em geral, os pacientes já chegam no pronto-socorro precisando de diálise, o que é muito ruim, porque aumenta a morbi-mortalidade. Além disso, crises renais por cálculos, com intensa dor, também são muito comuns", afirma Caroline Reigada, médica nefrologista e intensivista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo.

A diálise é a filtração do sangue com o auxílio de máquinas e o transplante, a substituição do rim através de doador vivo ou falecido. Cada doença renal tem a sua complexidade. Embora os sintomas sejam específicos, a prevenção é algo em comum.

Exames simples, como a taxa de ureia e creatinina no sangue, toxinas eliminadas somente pelos rins, e a coleta de urina tipo I, que detecta a excreção de glicose, proteínas e nitritos, são primordiais para indicar problemas renais, que podem estar associados a outras doenças como obesidade, diabetes e hipertensão. 

As principais doenças renais

Glomerulares

É o conjunto de doenças que afetam os glomérulos, que são estruturas constituídas por capilares sanguíneos. Também chamadas de glomerulopatia ou glomerulonefrite, são divididas em primária, quando causada por vírus e bactérias acometendo apenas os rins, ou secundária, quando associadas a outras doenças (diabetes, hepatites, doenças autoimunes) que afetam diversas áreas do organismo.

Policística

As doenças renais policísticas são hereditárias por mutações genéticas e caracterizadas por bolhas nos néfrons, estrutura responsável por filtrar os rins. Podem ser de dois tipos: DRPAR (Doença Renal Policística Autossômica Recessiva), sua forma mais rara e grave, ou DRPAD (Doença Renal Policística Autossômica Dominante). Ambas podem levar à DRC (Doença Renal Crônica). Diferentemente dos nódulos, que são maciços, os cistos são ocos, podendo conter líquido ou ar, sendo benignos ou malignos.

Câncer renal

O câncer renal é um tumor maligno, com alto risco de metástase, encontrado em exames de rotina, como a ultrassonografia abdominal.

Litíase renal

Também chamado de cálculo renal ou pedra nos rins é a cristalização de sais minerais presentes na urina em forma de pedras, seja por alteração metabólica, como o acúmulo de oxalato de cálcio, ácido úrico e fosfato de cálcio; dieta inadequada, com o consumo de alimentos ricos em sódio; infecções urinárias e pouca ingestão de água. Se não tratada, pode levar a hidronefrose e pielonefrite, com possíveis sequelas renais e perda dos rins.

Hidronefrose

É a dilatação das vias urinárias (pelve e ureter), geralmente pela passagem de um cálculo que pode ocasionar uma obstrução, sendo necessário o uso de sonda ou procedimento cirúrgico, podendo se agravar para um quadro de lesão renal.

Infecção urinária

A infecção urinária de trato baixo é restrita à bexiga (cistite) e a infecção de trato alto (pielonefrite) alcança os rins por via ascendente (via urinária baixa) ou hematogênica (sangue), podendo evoluir para sepse (infecção generalizada).

A ITU (infecção do trato urinário) geralmente ocorre por contaminação de bactérias presentes no organismo, em desequilíbrio, ou através de procedimentos cirúrgicos não higienizados corretamente. São elas: Escherichia coli, Proteus mirabilis, Enterococcus faecalis e Staphylococcus saprophyticus. Quando a infecção se torna de repetição, sendo detectada mais de três vezes ao ano, deve ser investigada.  

Sepse

Sepse é a infecção mais grave, com resposta inflamatória sistêmica, muitas vezes com o uso de ventilação mecânica, principal causa de lesão renal aguda e alto índice de mortalidade.

LRA (lesão renal aguda)

A insuficiência renal é dividida em LRA (lesão renal aguda) e DRC (doença renal crônica). A LRA consiste na rápida diminuição da função renal, geralmente em pessoas hospitalizadas, com redução do débito urinário e alteração de níveis de ureia e creatinina. É dividida em pré-renal, quando ocorre por desidratação e sangramento; renal, causada por outras doenças renais como nefrites, sepse e uso de anti-inflamatórios; e pós-renal, por obstrução da via urinária. Se não tratada com urgência, o quadro reversível pode se tornar uma DRC.

DRC (doença renal crônica)

É uma doença silenciosa com quadro lento, progressivo e irreversível, com a perda gradual da função dos rins por, pelo menos, três meses, podendo levar à morte precoce por complicações cardiovasculares, como o infarto.

Sintomas de que seus rins não estão bem

Os primeiros sintomas das doenças renais costumam surgir com a perda de 80% e 85% da função do órgão, mas, alguns sinais como cansaço, edema (inchaço) dos membros inferiores, formigamento, aumento da pressão arterial, alterações na urina e na glicemia, assim como a anemia descontrolada, devem ser investigados. Outros sintomas específicos são indicativos de casos de maior gravidade. São eles:  

Dor lombar: hidronefrose com obstrução por cálculo renal ou pielonefrite

Dor no pé da barriga: cistite

Febre: pielonefrite, doença policística ou doenças autoimunes, como vasculites e lúpus

Sabor metálico: retenção das escórias nitrogenadas (ureia e creatinina) na LRA ou fase avançada da DRC

Urina com espuma: eliminação de proteína, que pode ocorrer por glomerulopatias, doenças policísticas ou fase final da DRC

Urina cor de coca-cola: presença de hematúria (sangue) por cistite ou eliminação de cálculos ou glomerulopatias ou doenças policísticas ou câncer renal ou rabdomiólise (quebra do músculo após exercício extenuante)

Urina com gotejamento ao fim da micção: obstrução por próstata aumentada, em vista da hiperplasia prostática benigna

Urina com ardência: infecção urinária ou eliminação de cálculo ou hipoestrogenismo (queda dos níveis de estrogênio na menopausa)

Arritmia e paralisia: aumento do potássio na fase avançada da DRC

Hipertensão: doença policística ou LRA ou fase avançada da DRC

Coceira (prurido): excesso de fósforo ou retenção das escórias nitrogenadas, na fase avançada da DRC

Náusea e vômito: glomerulopatia ou fase final da DRC

Tremores, dor no peito e falta de ar: fase final da DRC

Febre alta, disfunção de órgãos, alteração do nível de consciência, hipotensão e aumento da frequência cardíaca e respiratória: sepse

Redução do volume urinário, confusão mental e sonolência: LRA

Edema e alterações urinárias: glomerulopatia

Para diminuir os riscos, amenizar os desconfortos e retardar a necessidade do uso de procedimentos artificiais, deve-se manter a pressão arterial adequada; o diabetes controlado; evitar o uso de medicamentos sem orientação, como AINES (anti-inflamatórios não esteroidais) e anti-hipertensivos; adquirir uma dieta equilibrada com redução de sódio, quantidade adequada de cálcio, ingestão de frutas, legumes, verduras e mais de dois litros de água, além de manter hábitos de vida saudáveis com atividade física regular.

 

Fonte: Viva Bem

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